Relações Humanas: o que há de complexo?

Albert Einstein

Albert Einstein

Porque Einstein se preocuparia em escrever suas visões sobre o mundo, as coisas e as pessoas, se ele próprio achava a humanidade frágil e despreparada para entender a profundidade de suas interlocuções e pensamentos (que eram, de fato, muito complexos para pessoas comuns entenderem)?

Mas, o que seriam “pessoas comuns” para Einstein? Ao ser questionado se poderia explicar em poucas palavras sua teoria da relatividade, ele teria respondido que para isto demoraria cerca de três dias e ainda assim um eventual interlocutor precisaria ter excepcional intimidade com a matemática e a física, ou sua explicação, por mais simples que fosse, seria incompreensível.

Um cético diria que, se uma pessoa não consegue com suficiente clareza explicar um conceito, por mais complexo que seja, ou a pessoa não tem clareza nem para si própria sobre o que está falando, ou ela não sabe o que é metáfora. Por outro lado, se um conhecedor olhasse para aquela explicação e passasse a fazer uma interpretação literal, poderia simplesmente dizer que “não é possível ensinar a uma galinha voar como uma águia!”.

Por quanto tempo uma pessoa que conhece efetivamente e em profundidade um assunto teve que se debruçar sobre ele para construir interpretações e entendimentos a ponto de poder afirmar: “sim, agora entendi o que isso representa e significa!“. Porém isso não implica em afirmar que ela saiba explicar essa representação e entendimento para outras pessoas.

A metáfora proverbial do ovo de Colombo explica isso facilmente. Como fazer que um ovo fresco fique equilibrado numa das extremidades, por si próprio, sobre uma superfície plana e rígida? Colombo resolveu isso quebrando levemente a ponta do ovo e equilibrando-o com facilidade. Claro, depois que isto foi feito, fica fácil(1) resolver o problema.

E para tudo é assim que acontece. As mais complexas equações são impossíveis de se resolver até que alguém a resolva pela primeira vez. Conseguido isso o processo de resolução se repetirá e novas formas de resolver o mesmo problema poderão ser desenvolvidos, aprimorados, customizados e que era complexo (ou impossível) torna-se aparentemente simples e corriqueiro.

Lâmpada Incandescente

Lâmpada Incandescente

Por exemplo, a lâmpada incandescente. Um princípio físico extremamente simples: um filamento é submetido a uma corrente elétrica suficiente para acelerar os átomos que ao se movimentarem rapidamente e colidirem uns com os outros fazem os seus elétrons moverem-se para camadas mais externas de sua órbita natural causando a liberação de energia na forma de fótons de luz ao retornarem à sua posição original. Questões hoje extremamente simples como: Qual material deve ser usado no filamento? Como evitar a oxidação precoce do filamento? Como isolar o calor liberado sem interferir na emissão de luz? Todas elas já se encontram respondidas e se desdobraram em outras soluções que aplicam os mesmos princípios produzindo lâmpadas mais eficientes e eficazes.

Todas as questões são hoje muito simples de se responder, pois os precursores (entre eles Thomas Edison) se debruçaram sobre uma ideia e persistiram em testes, erros (e aprendizados) até encontrarem uma combinação funcional e economicamente viável tornando a iluminação elétrica acessível a todas as pessoas.

Consumismo

Consumismo

Os bens de consumo duráveis e não duráveis (incluindo os da indústria do entretenimento) são hoje formadas por um emaranhado de complexidades mais ou menos organizadas, que entregam valores à pessoas (consumidores) considerados essenciais para alguns e supérfluos para outros, de acordo com sua própria escala de valores (preferências, prioridades, necessidades, poder aquisitivo ou cultura).

Para algumas pessoas o uso de roupas que não estejam na moda é considerado uma falha grave no comportamento e convívio social. Para outras consumir guloseimas é completamente desnecessário (e até reprovável) pois compromete a saúde bucal entre outros males. Já há os que necessitam ter o que há de mais sofisticado em eletrônica de consumo (os chamados gadgets) como smartphones, tablets, ultrabooks, relógios e outros acessórios mirabolantes de áudio, vídeo, comunicação entre outros.

Falei tudo isto para postular que o desenvolvimento humano depende diretamente das relações humanas. Não é possível uma pessoa fazer algo de forma isolada e desconectada de todo o resto (do mundo e das pessoas). Qualquer coisa, fato, história, objeto, material, referência, equipamento, ideia ou fundamentação que se lance mão para realizar algo terá a influência direta ou indireta do outro. A conexão é inevitável. Esta interdependência é que fica pouco evidente às pessoas que buscam o isolamento de todo o resto, mas não percebem que o que elas perseguem é tão somente se conectar de forma direta ou indireta ao seu mundo e às pessoas que dele participam, estejam elas presentes ou ausentes.

É a busca por respostas que pode levar algumas pessoas a pensamentos paradoxais. Há exemplos clássicos sobre isso como o “paradoxo do mentiroso”, também conhecido por “Paradoxo de Epiménides”: se uma pessoa diz que está mentindo, ela está dizendo a verdade ou está mentindo?

Relações Humanas

Relações Humanas

O desenvolvimento humano pressupõe a aplicação do potencial de cada um em prol de realizações que o torne a si mesmo e à sociedade melhores e mais felizes. A conexão com as relações humanas se opõe ao isolamento, como podem pensar alguns, e exige que as pessoas se conectem. Porque você acha que as redes sociais na era da internet são um sucesso e já o eram antes disso na forma das associações, clubes, agremiações e assemelhados? O porquê disso é a necessidade premente que o ser humano tem de estar conectado aos seus pares.

Isso nos leva à questão colocada no título: O que há de complexo nas relações humanas? Eu respondo que é a comunicação. A capacidade de entender e se fazer entender é a grande barreira que se interpõe ao desenvolvimento humano. O diálogo que cada pessoa estabelece com seu próximo independentemente da forma ou meio utilizados será suscetível de interpretação segundo uma escala de valores que se assemelha àquela dos bens de consumo, porém diferente daquela, aqui os valores são morais, éticos, comportamentais e atitudinais e é isto que torna a comunicação um processo tão complexo e que pode levar aos desentendimentos.

Desentendimento

Desentendimento

O desentendimento nada mais é do uma terrível falha na comunicação que é agravada pelo juízo de valor que se faz do próximo em relação ao que você entendeu que ele entendeu do que você fez, falou ou escreveu. A recíproca da outra pessoa em relação à você ocorre da mesma forma e o que falta geralmente é a humildade para dizer: vamos ver se estamos entendendo o que queremos dizer reciprocamente antes de qualquer atitude?

Isso me leva ao próximo postulado: o desenvolvimento humano não pode ser um ato isolado, pois estamos todos conectados.

 


(1) Há historiadores que defendem que este feito já havia sido conseguido pelo arquiteto italiano Filippo Brunelleschi alguns anos antes de Colombo, mas a autoria foi atribuída a Colombo pela sua notoriedade à época.

Como você se comporta quando está conversando ao telefone?

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